05 agosto 2016

Os Suspeitos

Seguindo em uma via dupla a caminho de uma cidade pequena. Percorria em sua mente o por quê de estar fugindo. Será pelo simples fato de não saber enfrentar os meus problemas?! Fugir e voltar para a casa de sua mãe era deveras vergonhoso, olhar para ela e ter que lhe falar que não era homem o suficiente para resolver os problemas com sua esposa.

Resolvo voltar. Não poderia fazer isso com Lisandra. Foi criancice fugir. 

– Irei voltar, para resolvermos isso como adultos. 

Dei a volta, e em meia hora chego em casa. Mas algo está errado, há várias pessoas ao redor de casa, e várias viaturas. 
Adentro entre a multidão curiosa, chego perto de um dos policiais que me pede para afastar.

– O que houve? Sou o dono da casa.
– O senhor é Leandro Miguel de Alcântara?
– Eu mesmo. Mas o que houve? Digo ansioso por tanto suspense. 

Sinto um aperto no peito.

– Siga-me por favor. Diz o Policial,

Ele levanta a faixa. Sigo junto a ele, deixando para trás a pequena multidão que ali se formava. Paramos em frente à porta de minha casa, abrindo-a, seguimos pelo corredor, sigo calado e respirando compassadamente, o policial segue me observando.
Olho para as paredes brancas, os quadros pendurados nela com fotos minhas com Lisandra. Olho para o chão de cerâmica simples e branca, reparo no móvel marrom com um jarro e as flores preferidas dela, tulipas. Lisandra… Onde ela está?

– Por favor, me diga o que aconteceu, onde está minha esposa?
– Ela foi encontrada morta.

Coloco a mão sobre minha boca, ao mesmo tempo que sinto tudo girar. Fico em choque. Vou recuando dando um passo de cada vez, até encontrar a parede onde me encosto, em uma tentativa de me sentir mais seguro.

– Não acredito… Lisandra meu amor. Lágrimas escorrem pela minha face.
– Sinto muito pela sua perda senhor Alcântara. Mas preciso que vá a delegacia para dar o seu depoimento.

Balanço a minha cabeça em um vagaroso sim. Saímos da casa, indo de volta para os braços daquela multidão. A minha vontade era de gritar e mandá-los embora, não era um show de circo para ter uma plateia curiosa para saber se o truque deu certo, ali era o meu lar… Totalmente destruído. Minha esposa estava morta.

Chegando na delegacia, e entrando na sala de depoimentos, o delegado prontamente pergunta: 

– Nome completo?
– Leandro Miguel de Alcântara.
– Onde o senhor estava às 20:10?
– Estava voltando da casa de minha mãe.
– Ela pode afirmar isso?
– Não. Porque não cheguei a casa dela, voltei na metade do caminho.
– Estava fugindo de algo?
– Como assim?
– Obtive informações que o senhor teve uma discussão acalorada com sua falecida esposa.
– O que o senhor quer dizer com isso?
– Que no momento da discussão o senhor tenha deflagrado em sua esposa golpes de faca.
– Lisandra foi morta a facadas?...

Coloco as mãos sobre a cabeça, sinto tudo girar. Lágrimas brotam em meus olhos e escorrem sobre minha face.

– Não fui eu… - Continuo entre lágrimas. – Discutimos sim, mas não encostei a mão nela, nunca encostei. Por estar chateado fui para a casa de minha mãe, mas resolvi voltar no meio do caminho, por querer resolver com Lisandra a situação, invés de envolver os meus pais nisso.
– Faremos uma análise no seu veículo, para anexarmos no processo da investigação.

Percebendo o meu estado caótico, o policial prossegue:

– As perguntas estão sendo feitas para melhor resolução do caso, senhor Alcântara. Temos a forte suspeita de assassinato.
– Eu compreendo… Mas porque fariam isso com ela? Minha nossa… - Coloco as mãos em meu rosto. – Eu não entendo….
– Ela tinha inimigos? Já recebeu alguma ameaça, teve alguma discussão com alguém que o senhor conheça?
– Não. Que eu saiba, não.

Depois de várias perguntas respondidas, me liberaram após quase uma hora de interrogatório. Pois entre as perguntas feitas, eu precisava respirar e me acalmar. Tudo estava sendo tão difícil, estava tão angustiado, cheio de dúvidas, temeroso, pensando sempre em Lisandra…

No final do interrogatório o policial me informa que deverei ir a um hotel, para melhor acompanhar o caso junto a delegacia, e que eu poderia ser chamado novamente para depor. Apertamos as mãos, e eu segui direto ao hotel. 

Chegando ao hotel, uma moça veio diretamente me atender e me levou ate o quarto que eu irei ficar.
Entro em meu quarto que é espaçoso, tomo um bom e demorado banho.
Vejo uma linda taça de cristal, a encho de champanhe, e em meu primeiro gole sento em uma confortável poltrona, deixando com que a minha outra personalidade apareça.

– A Leandro, esse seu lado bom, não te levará a nada. Mas, de nada… Nos livramos daquela insuportável! – minha risada ecoa pelo quarto – Quem afinal, ela pensava que era, ao me ameaçar, dizendo que iria me mandar para um manicômio?! Fala agora! – coloco minha taça sobre a mesinha,  e aperto forte os braços da poltrona – Fala! A que pena, não pode… Sinto muito querida, você falava demais. Hum… – dou mais um gole em meu Champanhe – Bem lembrado, “falava”.

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