29 setembro 2016

Desculpe-me o transtorno, mas preciso falar de Fernando

Sinto ter que falar sobre algo que ocorreu há certo tempo, e sinto mais em ter que expor os meus sentimentos. É verdadeiro e puro o que sinto, por isso me vejo na obrigação de narrar nossa história.

Lembro-me como hoje, te vi chegar numa lanchonete que eu trabalhava como atendente; você chegou cabisbaixo, e ao mesmo tempo em que sentava em uma mesinha defronte a rua, sempre distraído, nem notou quando me aproximei para anotar o pedido, quando me posicionei ao seu lado senti um cheiro horrível. "Deve ser da rua, alguém pisou em... Deixa pra lá."

- Boa tarde senhor, posso anotar o pedido?

Óbvio que se tratando de Fernando, tive que repetir essa frase umas cinco vezes para ele me notar. O vento soprou, deixando mais evidente o cheiro horrível.

- Não acredito que é dele!

- Senhorita? Diz ele sem entender a minha reação.

- Pode falar, estou anotando.

Ele ficou me encarando, enquanto eu cansada, esperava ansiosa para me livrar daquele cheiro. Algumas semanas se passaram, e entre essas passagens Fernando voltava e ficava na mesma mesinha, e me olhava de longe.

Ele pediu meu número.

Ficamos conversando por cinco meses. E foram nesses cinco meses que conheci a pessoa mais estranha, fedida, ciumenta, desligada e psicopata da minha vida. Fui demitida do meu emprego, após um surto de Fernando por causa de um rapaz que veio me perguntar onde ficava o banheiro. “Pelo menos ele é mais limpinho que você!”.

Mas tudo acabou bem, após eu conseguir uma liminar da justiça para que ele ficasse a 10 metros longe de mim.

Desculpe-me, mas o transtorno é você Fernando!

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